SOBRE: Exposição "Rapture" de Ai Weiwei

Escrito por Gabriela Albuquerque


Inclusiva.

Se fosse permitido apenas uma palavra para descrever a exposição Rapture, de Ai Weiwei na Cordoaria Nacional em Lisboa, eu escolheria essa: inclusiva.

Sim, estamos todos transtornados, estamos mentalmente e fisicamente doentes. Estamos exaustos, desesperançosos e quase náufragos em um cotidiano de acontecimentos e notícias que têm escalado pessimamente, ou que estão a correr muito mal, como dizem os portugueses.

Pertencer, se sentir incluído e “a salvo”, ainda que seja uma sensação de segurança ilusória, virou nossa principal tábua de salvação.


Por isso me senti abraçada, incluída e pertencente, depois de sair - extasiada - da exposição de Weiwei.

Para quem viu a exposição, pode parecer confusa, ou estranha, essa sensação, afinal, quase todas as mazelas que atravessamos, estão presentes lá, de forma tão clara e explícita, que chega a ser desconcertante. Vídeos de trajetórias trágicas, de refugiados ao redor do mundo, cenas da repressão chinesa, desabamentos e mortes de crianças, guerras, catástrofes ambientais, pandemia, etc.

Tudo que nos assombra está lá, escancarado, em escalas muitas vezes agigantadas. Como o imenso rolo de papel higiênico de mármore, símbolo bizarro do nosso instinto egoísta de sobrevivência.

Por isso, aquilo que deveria me causar desconforto, me causou acolhimento. Meus fantasmas todos, deixaram de ser pessoais. Vivemos um pesadelo coletivo.

E a saída só pode ser essa: pela coletividade.

Desde as grandes obras, elaboradas a muitas mãos, até a necessidade de agir quase como uma equipe esportiva em um barco de refugiados, reforçam a ideia, de que a única chance de sucesso, virá dos esforços em grupo. A liberdade, só existe de fato, quando todos forem livres. Não há outra saída.

Mais do que mostrar e retratar nossas mazelas, Weiwei, nos convida à ação, à reflexão.


Arte e vida são indissolúveis, por mais que críticos ao longo da história afirmem o contrário. Viver é um ato político e portanto a arte é política, sempre.

Não há outro caminho.

Inclusão. Coletividade. Liberdade.

Sim, tudo é político!

Que sorte a nossa viver em um mundo onde existe Ai Weiwei.


Exposição aberta até dia 28 de Novembro, 2021.