DOR

“A imaginação abandonada pela razão produz monstros impossíveis” - Francisco Goya

Esta é a legenda da impressão de Francisco Goya "O sono da razão produz monstros", parte de uma série de 8 imagens publicadas em 1799. A série marca uma mudança fundamental na prática de Goya, onde o artista começou a pintar representações cada vez mais sombrias sobre o clima social, político e intelectual da época.

Goya foi o pintor da realeza espanhola, executando vários retratos do rei e da rainha, retratando a opulenta realidade da época. Suas pinturas serviram como celebrações de um tempo de esperança de progresso e transformação, porém sob o governo de Napoleão tudo mudou e a Espanha se tornou um território de pesadelo, violência e dor. A obra de Goya entrou nesta nova era sombria e ele se tornou um cronista do sofrimento. Suas pinturas retratam as dores de uma época, bem como o próprio desespero de Goya. Ele ficou surdo de uma doença misteriosa e presenciou o falecimento da esposa e de seus filhos. A morte parecia estar sempre próxima.

O trabalho de Goya é apenas uma maneira de discutir a dor em relação ao trabalho criativo. A exploração do sofrimento e da dor por meio da arte tem sido feita de várias maneiras, refletindo turbulências internas e também unificando os seres humanos por meio da experiência universal da dor. Seria a dor o sentimento que conhecemos melhor?

Talvez a única maneira de evitar que nossa dor seja em vão é transformá-la em arte. Ao mesmo tempo, a experiência da dor pode nos fragilizar gravemente, trazendo uma percepção e vivacidade de quem realmente somos. Qual é a conexão entre arte e dor? Como diferentes artistas abordam a dor por meio de seu trabalho? Seja uma dor física ou psicológica, como a arte pode servir de lente de aumento para nossos sofrimentos internos?

Fique ligado enquanto investigamos a relação entre dor e práticas criativas.