MEMÓRIA POR BERNADETTE MAYER

Memória.

A existência humana pode ser sintetizada como uma espécie de colcha de retalhos, onde atuamos como nossos próprios curadores, sempre coletando e arquivando memórias infinitas, e apagando algumas ao longo do caminho.

Qual é o papel da memória na arte?

Essa é a essência da obra da poetisa Bernadette Mayer. Seu trabalho “Memory”, que ela descreveu como “um projeto de ciência emocional”, combina fotografias com trabalhos escritos líricos e de fluxo de consciência. Em julho de 1971, Mayer fotografou cenas de sua vida na cidade de Nova York, enquanto mantinha um diário onde captava suas impressões e pensamentos íntimos. O material transformou-se no notável projeto denominado “Memória” e em 2020 nos sentimos obrigados a revisitá-lo. Enquanto a incerteza mancha a definição de nossas vidas, deixando-nos sem respostas para onde estamos indo, o trabalho de Mayer oferece a possibilidade de construir memórias que um dia olharemos para trás.

Ao coletarmos quantidades incompreensíveis de dados por meio da auto documentação, ficamos com a pergunta: que tipo de memórias estamos construindo no ano de 2020? Do que elas são feitas?

Apesar de nossas tentativas de definir o tempo por ordem cronológica, a ideia do que constitui “ontem”, “hoje” e “amanhã” é repentinamente embaçada, criando um único e longo fluxo de sentimentos e experiências conforme capturamos nossas vidas. Bernadette Mayer fez em 1971 o que fazemos hoje: coletamos momentos de maneira frenética a todo instante.

“Memória” expõe a correlação entre imagens e texto ao questionar a temporalidade desses dois meios. Assim, Mayer foi capaz de construir uma paisagem de nostalgia e saudade de tempos mais simples.

Estas são algumas das fotos do projeto "Memória" de Mayer, juntamente com trechos do diário que o acompanha.