QUANDO SURGIRAM AS PRIMEIRAS EXPERIMENTAÇÕES COM A TECNOLOGIA?

Nos anos 60 e 70, antes do surgimento da internet, alguns artistas começaram a experimentar com tecnologias - como TVs e os primeiros computadores pessoais - como ferramentas de produção artística. Esses desenvolvimentos inovadores abriram uma ampla gama de possibilidades para a prática artística. Este foi o momento em que nasceu a relação entre arte e tecnologia e que continua em constante evolução desde então. Selecionamos três artistas cujas obras ocupam um lugar crucial no diálogo entre arte, tecnologia e internet.

A artista americana Lillian Schwartz é mais conhecida por suas obras de arte geradas por computador e, em 1970, foi convidada pelos AT&T Bell Laboratories para explorar as possibilidades estéticas envolvendo o uso dos primeiros softwares de computador. Seu trabalho "Pixillation" é um vídeo de 4 minutos em que Schwartz codifica algumas linhas de textura em preto e branco gerada por computador misturadas com animações coloridas à mão. Com "Pixillation", Schwartz desenvolveu uma técnica onde as cores permaneciam em constante movimento criando ritmos inovadores e padrões visuais inusitados. Ao manipular laboriosamente cada sequência do filme, Schwartz foi capaz de transformar as tecnologias lineares e baseadas em ordem da época, adicionando uma sensação de imprevisibilidade ao uso de computadores. "Pixillation" é uma experiência eletrizante; simultaneamente atraente e excitante. Assista "Pixillation" aqui.

Imagem de "Pixillation"

Lillian F. Schwartz

Outro nome importante nos primórdios da tecnologia nas artes é Charles Csuri, responsável por criar a primeira obra de arte produzida inteiramente por um computador. Csuri é conhecido por introduzir imagens visuais na complexa linguagem da computação gráfica. A obra "Hummingbird" é um filme animado por um computador de 1967, consistindo em mais de 30.000 imagens individuais geradas pelo computador e depois desenhadas diretamente em um filme de 16 mm. O "Hummingbird" de Csuri foi posteriormente comprado pelo Museu de Arte Moderna em 1968, tornando-se uma das primeiras obras geradas por computador a entrar na coleção do museu.

Na era pré-internet, havia uma pessoa que fez uma previsão precisa: que eventualmente "a tecnologia permitiria às pessoas se comunicarem imediatamente". O mais novo de cinco filhos, Nam June Paik nasceu em Seul, na Coreia do Sul. Ele foi o pioneiro no uso da TV e da videoarte, transformando a forma como a tecnologia era usada para fins artísticos.

Nam June Paik por Rene Block

Quando Paik veio pela primeira vez aos Estados Unidos, ele foi saudado por luzes piscando ao ar livre, letreiros de neon em hotéis e a unificação que as rodovias interestaduais ofereciam aos americanos na década de 1950. Paik cunhou a frase "superestrada eletrônica", que previa a profunda influência da tecnologia - e eventualmente da internet - em nossas vidas. A instalação chamada "Electronic Superhighway: Continental US, Alaska, Hawaii" de 1994 consiste em 300 TVs que formam o mapa dos Estados Unidos, delineando os estados com luzes de neon. As telas da TV dentro de cada estado exibe videoclipes populares de cada região específica - Kansas, por exemplo, exibe cenas do filme Mágico de Oz. A ideia de uma "rodovia eletrônica" simboliza a unificação do mundo por meio da comunicação de massa e da tecnologia, não tanto pelo transporte em si.

O trabalho de Paik também prevê a era de sobrecarga de informações que vivemos hoje: um fluxo interminável de imagens, informações e sons. Existe uma tensão particular entre focar a atenção em uma parte do mapa, mas não ser capaz de absorver nenhum detalhe. Nossa atenção é rapidamente desviada para as seções opostas da obra, criando uma sensação vertiginosa porém emocionante, semelhante a um ato definitivo dos tempos atuais: percorrer a internet sem rumo por horas a fio.

O computador não era apenas uma ferramenta que poderia ser usada para a produção de arte, mas um símbolo imperativo dos tempos de mudança. Com os artistas se sentindo cada vez mais inspirados por essas tecnologias, também houve uma mudança na forma como a arte era apresentada e experienciada. A internet tornou-se um novo espaço onde as ideias artísticas podem surgir, transitar e ser livremente trocadas. Ao contrário dos tradicionais espaços de museus e galerias, na internet não existem limitações físicas ou restrições às próprias obras. Era como se todo um novo universo se expandisse à frente, puxando os artistas pela mão para o vasto e desconhecido mundo da internet.

O que vem a seguir? Fique ligado, no próximo post exploraremos os novos movimentos de arte na Internet que surgiram no início dos anos 90.