EXPOSIÇÃO "CORIUM" EM LISBOA

Humanos têm deixado suas marcas para trás desde que pisaram na Terra pela primeira vez. O ato de deixar um pedaço de nós - um rabisco na parede, uma pintura com pigmentos naturais ou uma fotografia que documenta um momento - sempre foi uma forma de imortalizar ideias de um determinado momento no tempo. Como uma tatuagem, essas marcas existem entre as camadas de nossas realidades, às vezes por trás de telas, outras vezes sob o tecido da pele. Com a eficiência da internet e o papel cada vez maior das plataformas sociais dentro das artes, estamos lentamente construindo um banco de dados denso de imagens que circulam em nossos feeds e também, em nossa psique.

Ao congelar a realidade por meio de uma fotografia, revelamos nosso desejo de movimento em direção ao que vem a seguir. O compromisso de deixar algo para trás tornou-se a obra de arte em si.

CORIUM é uma palavra latina que descreve as camadas da pele que existem entre a epiderme e o tecido subcutâneo. É aqui que fica a tinta de uma tatuagem. Integrantes do coletivo @a__b__c__c de Lisboa, os artistas Alexandre Camarão e Bernardo Simões Correia começaram a compilar imagens encontradas online para trabalhar, transformando-as em algo novo. A própria palavra CORIUM contextualiza a natureza da exposição, em que os cartazes vivem dentro e fora das paredes da galeria. Os cartazes também foram aplicados nas ruas de Lisboa tecendo uma relação mais ampla entre o que vive dentro e fora das galerias.

As obras penetram nossa psique, nossos espaços de arte e nossas ruas, da mesma forma que uma máquina de tatuagem penetra a nossa derme. Mas o que exatamente são essas imagens? Quais são suas fontes e como chegamos onde estamos: um vasto universo de imagens, movendo-se rapidamente de um dispositivo para o outro? CORIUM explora nosso relacionamento com este rico e interminável fluxo visual.

A exposição ficará em cartaz até 19 de setembro de 2020 na @broteria_